terça-feira, 19 de maio de 2026

Sobre todas as coisas...Sobre os nós

O corpo da amiga é pétala ao vento, que dança inerte com um par canhestro; a morte, aquela que nos enlaça sem convite, nos força a lhe acompanhar o ritmo.

Estará dormindo, ou, inexplicavelmente mais viva? Vertigens, rodopios, quem sabe, algum segredo sussurrado pela inevitável dama, na geometria exata do eterno deitar.

Não há o vazio onde houve tanto afeto, a matéria se cala, mas a ideia resiste: ela agora é o tempo, o espaço concreto, a memória viva que em nós subsiste.

Patrícia Ubert  

quarta-feira, 25 de março de 2026

 

        Assisti ao documentário Foge-me ao Controle...E fugiu-me mesmo. Fernanda era uma mulher fascinante, porque não se vestia exclusivamente com o conceito de mulher, aliás, não cabia em definições. Ao mesmo tempo era certeira em definir...A cafonice e os cafonas é um exemplo da sua precisão. Se eu ousasse defini-la, restringi-la a uma única palavra, seria lúcida. Todos os lúcidos têm lindas asas brancas e partidas...

          Foge-me ao controle...


                                                      Uma Gaivota Torta

(Para Fernanda Young)

 

A minha humanidade torta tenta em vão ser livre,

quando vê planar no céu uma gaivota;

Um pequeno ponto branco em direção ao mar;

Folha de papel com olhos, asas e bico.

A gaivota é livre, sem planos, poemas ou consciência;

Asas lançadas ao infinito, a mais pura reticência...

Eu, que sou mais carne, mais sonhos e enganos,

Rastejo torto, vírgula, entre o primeiro e o último grito.