sábado, 20 de outubro de 2012

Ao seu tempo...


Inútil tentar controlar tudo, porque tudo vem ao seu tempo. O  que é verdadeiro há de ficar em nós! O resto, ilusões! Que também ao seu tempo se tornam dispensáveis.

Patrícia

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A Aeronave

Cindindo a vastidão do Azul profundo,
Sulcando o espaço, devassando a terra,
A Aeronave que um mistério encerra
Vai pelo espaço acompanhando o mundo.

E na esteira sem fim da azúlea esfera
Ei-la embalada n’amplidão dos ares,
Fitando o abismo sepulcral dos mares
Vencendo o azul que ante si s’erguera.

Voa, se eleva em busca do Infinito,
É como um despertar de estranho mito,
Auroreando a humana consciência.

Cheia da luz do cintilar de um astro,
Deixa ver na fulgência do seu rastro
A trajetória augusta da Ciência.


Augusto dos Anjos

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Pessoas e Pessoas....


Fernando António Nogueira Pessoa (1888 -1935)-Considerado o maior poeta da Língua Portuguesa do século XX. Controvertido, a genialidade parecia não caber em si, dividiu-se em outros.
Qualquer um que tenha escrito na Língua Portuguesa, em verso ou em prosa, apresenta algum traço de Pessoa. Embora o poeta Baudelaire seja o meu favorito, Pessoa sempre se afigurou a mim como um dos grandes. Para além do gênio, uma incógnita!  Creio que o maior heterônimo de Fernando Pessoa seja Fernando Pessoa. Abaixo, o trecho de um poema, dentre os de Álvaro de Campos, que alicerça a minha conclusão:

“Não tenho sinceridade nenhuma que te dar.
Se te falo, adapto instintivamente frases
A um sentido que me esqueço de ter”.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Sobre o Efêmero...


Dirce de Assis Cavalcanti- Uma mulher admirável! Mãe, poeta, esposa, contista, escultora... Ela é de uma generosidade;  sempre incentivando as pessoas, acreditando no talento.Que pessoa  meiga e  adorável! Uma dama!


O prazer se sente
por ser efêmero,
passageiro.

no bordado da vida, relevo,
um ponto-cheio,
no fundo triste do tédio
e da uniformidade 

Canto Liso-Dirce de Assis Cavalcanti

quinta-feira, 5 de julho de 2012

"Uma Lição de Vida"

John Donne (15721631) foi um poeta inglês,  maior representante dos poetas metafísicos da sua época. Sua obra é carregada de sensuaidade e realismo.  Sua poesia possui linguagem vibrante, contendo metáforas muito bem construídas. A reflexão sobre a morte, abaixo, é, na minha opinião, uma das melhores do poeta. Não é fácil fazer poesia sobre o tema, mas Donne consegue com tanta lucidez ! Sem  pieguice; sem pavor...  Que bom gosto!

Morte, não te orgulhes, embora alguns te provem
Poderosa, temível, pois não és assim.
Pobre morte: não poderás matar-me a mim,
E os que presumes que derrubaste, não morrem.
Se tuas imagens, sono e repouso, nos podem
Dar prazer, quem sabe mais nos darás? Enfim,
Descansar corpos, liberar almas, é ruim?
Por isso, cedo os melhores homens te escolhem.
És escrava do fado, de reis, do suicida;
Com guerras, veneno, doença hás de conviver;
Ópios e mágicas também têm teu poder
De fazer dormir. E te inflas envaidecida?
Após curto sono, acorda eterno o que jaz,
E a morte já não é; morte, tu morrerás.”


sexta-feira, 22 de junho de 2012

Reversibilidade

Charles Baudelaire (1821-1867) Poeta francês, considerado o pai da poesia moderna. Era como os modernistas que vieram após ele. Acima de tudo um realista que detestava a reprodução de um mundo fantasioso em poemas. Seus poemas nos descortinam um mundo objetivo,tal como é! Não há espaço para a subjetividade; para o que  se supõem atrás das vestes. Baudelaire nos apresenta  o nu.
Foi após ler o poema “reversibilidade” que percebi a instrumentalidade da poesia. Este poema revelou-me! Nele desabrocharia o meu “entusiasmo” poético! Baudelaire foi o adubo... Adoraria ter me descoberto em prosa! Mas a minha integridade se dá na poesia, porque ela inclui também o meu pior.

Patrícia.

Ó Anjo de alegria, já viste a desgraça,
Os soluços, o tédio, o remorso, as vergonhas,
E o difuso terror dessas noites medonhas
Que o peito oprime como um papel que se amassa?
Ó Anjo de alegria, já viste a desgraça?

Ó Anjo de bondade, já viste o rancor,
As mãos em gesto aflito e as lágrimas de fel,
Quando brande a vingança o seu apelo cruel
E de nossas virtudes torna-se senhor?
Ó Anjo da bondade, já viste o rancor?

Ó Anjo de saúde, já viste os delírios,
Que, ao longo das paredes do asilo alvadio,
Como exilados vão em passo tardio,
Movendo os lábios e buscando a luz dos círios?
Ó Anjo de saúde, já viste os delírios?

Ó Anjo de beleza, as rugas já não viste,
Não viste o medo da velhice e este suplício
De ler esfíngico pavor do sacrifício
No olhar que outrora no saciou a gula triste?
Ó Anjo da beleza, as rugas já não viste?

Ó Anjo de ventura e júbilo e clarões,
Davi da morte se teria levantado
Sob os eflúvios de teu corpo enfeitiçado;
Mas a ti só imploro as tuas orações,
Ó Anjo de ventura e júbilo e clarões!

No poema original, em francês, Baudelaire escreve: Ange plein de gaieté; Ange plein de bonté...Ou seja, a tradução mais correta seria: Anjo todo ( ou cheio de) alegria; Anjo todo (ou cheio de) bondade e não “de”, como se vê na maior parte das traduções para o português. (Observação minha, sujeita a erro).

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Vincent


Tenho falhado em tudo! Meu consolo é Vincent...

Vincent Willem van Gogh ( 1853 - 1890) foi um pintor pós-impressionista holandês frequentemente considerado um dos maiores de todos os tempos.
Sua vida foi marcada por fracassos. Ele falhou em todos os aspectos vitais para um homem em sua época: Não se casou; não teve filhos;. Foi incapaz de constituir família, de custear a própria subsistência. Van Gogh tinha ainda muita dificuldade em manter contactos sociais. Aos 37 anos, sucumbiu a uma doença mental, cometendo suicídio.
Morria o louco, nascia o gênio da pintura.