sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Caetano Veloso e o Superbacana

Caetano Veloso está preocupado com a destruição da Amazônia. Ele gravou alguns vídeos apelando para que todos os brasileiros comprem a causa. Sou capaz de apostar que ele está tão interessado na preservação das árvores da Amazônia quanto em desarvorar Temer da condição de Presidente, mas, não vem ao caso! Também não tenho apreço pelo peemedebista... Já pelo cantor e poeta, sempre nutri alguma simpatia. Fico feliz que ele esteja fazendo apologia a “não destruição”.
Talvez Caetano possa rever o apoio que tem dado a Lula. Afinal, o governo do petista ajudou com dinheiro público a destruir 916. 445 km², que corresponde à área da Venezuela. Sem contar os desplantes no Brasil. Tomara que ele esteja fazendo as conexões, do contrário, poderia parecer que os nossos índios merecem mais respeito que os cidadãos venezuelanos. Não creio que seja a opinião dele...  
    Devemos preservar a Amazônia não porque seja nossa, mas, exatamente porque não é. Ela pertence ao planeta; a todas as espécies; as gerações presentes e futuras. E acima de tudo, pertence a si mesma. Usar o slogan “A Amazônia é nossa” para defendê-la de maus exploradores não é uma boa, pois a posse comumente gera amplos direitos sobre a coisa possuída. E depois, foi o que Lula, o superbacana, disse sobre a Petrobrás. Deu no que deu!

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Sobre a Futilidade...


“Vão-se os anéis e não fica nada.”

Quando “aparecer” torna-se sinônimo de “existir” significa que adoecemos de vaidade. Os jovens, em especial, têm cometido vários crimes para aparecer nos jornais, na TV, nas redes sociais. A vaidade desmedida rouba-lhes a existência.      

        Há um acentuado desencontro entre o que desejamos, seja por estímulo ou tendência, e as nossas reais potencialidades. Querer não é necessariamente poder, mas todos os meios de comunicação nos dizem o contrário. Aquele que não busca a todo custo alcançar as estrelas soa como um fracassado, ainda que baste a ele admirá-las de longe. A mídia tornou fama sinônimo de sucesso; e o sucesso equivale-se a felicidade.
         O espetáculo de mau gosto e a ausência de limite generalizada são efeitos desta confusão. O sonho de brilhar pode ser motivador, mas também perigoso. Se desprezarmos o ordinário, o corriqueiro, nunca alcançaremos o extraordinário. Ao eliminarmos um, fatalmente eliminamos o outro. Seria extremamente salutar separamos notoriedade de contentamento. A real satisfação prescinde de alardes.
   Difícil tarefa, já que nem com Deus podemos contar mais; ele parece definitivamente fazer parte do show business.  A divindade deveria ser singela e não suntuosa.

Abaixo, a minha reflexão poética esculachada...

Acho-me em constante desencontro
No embate entre o sonho e a insônia;
Na inquietação e no compromisso;
No que falo e sinto; o certo, o errado...
Os dois lados das convenções humanas;
E para aliviar o drama aviaram-me
Um Deus nobre, austero e sem face;
Que se mede pela quantia no envelope.  
 -Um suntuoso esculacho!-

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Quanto Vale o Show?


         Finalmente assisti ao filme Florence Foster que no Brasil foi intitulado “Florence – Quem é esta mulher?”. Ele é baseado na biografia de Florence Foster Jenkins, papel protagonizado por ninguém menos que Meryl Streep. Florence foi uma mulher muito rica que fez doações vultosas a casas de espetáculos e teatros; ela patrocinou músicos, diretores, atores... Enfim, ajudou a movimentar a vida artística e social da Nova York dos anos 40.
            O problema é que Florence ficou obcecada com a ideia de se tornar cantora lírica, embora fosse incrivelmente desafinada. Deixando de lado a comicidade do filme (em algumas cenas tem-se a impressão de que Streep irá botar um ovo), ficou patente que o talento é algo que pode ser comprado como qualquer mercadoria. Tudo é possível quando se tem o dinheiro para pagar- inclusive amor verdadeiro, segundo Nélson Rodrigues.
Florence comprou os dois. Tanto a sua inusitada carreira quanto a dedicação de um incansável marido. O talento é algo relativo, afinal, quem o define? É a mensagem do filme. Quem diz o que é bom ou ruim em um determinado assunto está suscetível a aplicar mais brandura ou rigor de acordo com as circunstâncias e os seus próprios interesses. E nem sempre os nossos interesses são nobres ou justos. Aliás, justiça cega só se vê em estátuas.
Não creio que este fato elimine o talento genuíno, mas, entre nós impera a parcialidade.  Em alguns casos quem julga o talento sequer possui conhecimento ou sensibilidade suficientes para reconhecer uma habilidade especial. No geral, contentamo-nos com porcarias, até porque são muito mais fáceis de serem consumidas.
           É por isto que livros de autoajuda pra lá de questionáveis que prescrevem a felicidade (mas, o que é a felicidade?); a liberdade (de novo: o que é ser livre?), costumam vender mais que grandes pensadores. Estas chatices batidas à exaustão são como um prato de miojo para o paladar daqueles que desconhecem o sabor de uma boa massa caseira. 
O filme é bom, não porque traga uma mensagem nova, ou porque nos reporte às grandes reflexões, mas, principalmente, por contar com atores e atrizes talentosos, verdadeiramente talentosos. A atuação de Meryl prova que um talento pode passar-se por um inapto com facilidade, mas, que o contrário, sempre vai depender de alguma benevolência comprada ou da ignorância. As gravações de Jenkins não deixam dúvida.  

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Política, Prostituição e um Gole de Esperança

O que restará de nós?

Temer fica. A despeito de todos os indícios de que tenha cometido crimes, ele seguirá ocupando o cargo mais importante do país.  A República de banana continua a adotar pesos e medidas diferentes para casos iguais, o que nos sagra ordinários. A esquerda não estava de todo errada, mas, o golpe não foi contra eles, o golpe é contra todos os brasileiros que tentam manter a honestidade em um país cuja maioria já considera tal virtude um obstáculo.
           O que restará de cada um de nós, do cidadão que cria, sente, julga e faz as suas escolhas; material sólido, carne e ossos do ente abstrato denominado sociedade brasileira? De quem é a culpa? Minha não é... Por isto seria bem oportuno se começássemos a nomear a tal sociedade, “um a um”...
         
Quanto de mim em mim sou eu?
Quanto em tudo nada importa?
Um ir e vir de portas;
Tenho medo de fechar uma
Sem abrir outra.
(Nunca superei por completo o medo do escuro)
E quem nunca foi covarde neste mundo?
Ou em outro qualquer...
Quem sabe tudo se resume na roupa e no espelho
Em administrar o aperto da roupa
E os anos no espelho
Impondo o tempo como medida real.
Mas, ainda tem o amor...
Sim, ainda tem o amor a desafiar tudo!
O espelho o tempo e o medo do escuro;
A manter a esperança 
Entre um passo e outro
E a manter algo de nós em nós mesmos.

(P.Ubert)

terça-feira, 4 de julho de 2017

Sobre a Esperança Esdrúxula...


"Meu coração não se cansa de ter esperança de um dia ser tudo o que quer..."

O amor nos afasta da boa poesia, um amor satisfeito, ao menos um amor esperançoso...
Só o desamor é capaz de produzir bons poemas, um adubo e tanto! É por esta razão que “todas as cartas de amor são ridículas”. Afinal, viva o esdrúxulo!

Que sabe um coração esperançoso, senão buscar a esperança?
Criança perseguindo bolhas coloridas;
Lançadas ao acaso, lânguidas! Voando no seu breve infinito.
Dirão a cada esfera perdida: ridículo coração!
Mas ele continuará pulsando, já que este é o seu ofício...

(P. Ubert)

domingo, 25 de junho de 2017

Vegas, Estrelas e Escracho

Juro que a ideia inicial era escrachar o Temer, talvez, o Marechal Deodoro da Fonseca, o Lula, sei lá! Dom Pedro I... Alguém tem que ser escrachado! Alguém tem que ser o culpado de nada funcionar por aqui... Las Vegas, um parque de diversões no meio do deserto, é um escracho! Um monumento a luxuria, a gula e a soberba: lindo, luxuoso, limpo e organizado. Tapa na cara de quem vive em um grande bordel sujo, muito sujo! Abandonei a ideia inicial... Não vale a pena escrever sobre nós! Melhor procurar estrelas...

“TE DOU UM CÉU CHEIO DE ESTRELAS
FEITAS COM CANETA BIC
NUM PAPEL DE PÃO”.
(Zeca Baleiro)

“Estrelas altas! Que se importam elas?
Tão longe estão... Tão longe deste mundo...
Trêmulo bando de distantes velas
Ancoradas no azul do céu profundo”
(As Estrelas- Mário Quintana)

“E eu vos direi: Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas”
(Ouvir Estrelas- Olavo Bilac)

No céu de Las Vegas não há estrelas, bom, devem estar lá, mas não as vemos. Há tantas luzes por toda parte que só mesmo um poeta poderia notá-las.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Pleno e Poesia

Sobre o Pleno...

O nome vem do latim. Tem origem na palavra plenus, que por sua vez quer dizer, LITERALMENTE, pleno, completo...  

        Hoje, sem Temer, terrorismo e trapaças. Troquei tudo por um punhado de poesia. Permiti-me chamar o que escrevi de poesia. Quem lê o que escrevo sabe que é uma exceção, tanto por senso quanto por respeito aos poetas. Mas, às vezes é preciso um nome que expresse o que sentimos. E como bem se depreende de Pessoa, o que é a poesia senão a tradução do sentimento do poeta? Que quanto mais finge e mente mais se descreve e denuncia. 


Sou pleno,
No meu avesso espelho.
Eu mesmo!
Como falar sobre algo tão complexo,
Sendo tudo isto e muito além do verso?
Como explicar o encontro das paralelas,
Os mistérios da natureza?
Sou a simbiose das formas que se contrastam;
Sou as sombras que disputam a mesma vaga.
Sou o que me resta; sou o que se gesta.
E a espera do parto rompem-se máscaras;
Estreitam-se espaços, alargam-se medos!
E sou eu, eu mesmo.

(P. Ubert)