sexta-feira, 16 de agosto de 2024

Sobre como um homem deve abandonar uma mulher...

 


Diga-me adeus, sim ! Suportarei o seu adeus;

Mas diga com algum desassossego;

Para que eu possa supor que ainda há mágica.

Nunca, nunca mesmo,  deixe claro que não lhe farei falta.

Dissimule a sua indiferença, ela afrontaria o meu medo;

E só Deus sabe do é capaz uma mulher rejeitada!

Se for o caso, quase sempre será, opte por um tom trágico;

Muitas reticências  , breves silêncios, frases inexatas...

Melhor uma boa farsa do que a certeza do nada.

( E, querido, se pudesse sair cabisbaixo e confuso seria perfeito!). 

 

P. Ubert  

domingo, 4 de agosto de 2024

Sobre poetas, feridas e jardins...

  

    No próximo dia 25 de agosto fará 05 anos que a poeta Fernanda Young partiu deste Éden...Superei, mas não suturei a ferida. Algumas pessoas, muito poucas na verdade, fazem falta ao mundo.

    Para Fernanda, a minha reflexão poética e sanguínea... 

 

Segue a ferida aberta,

escorre o sangue.

Repuxa, lateja.

Enquanto dorme o universo

a lâmina renova o corte;

a sorte declama um verso :

tesoura cega;

agulha incerta;

costura torta;

poema reto.

Descansa poeta!

Neste Éden cheio de mágoas

É o sangue que água as almas.

domingo, 28 de julho de 2024

Sobre Todas as Coisas...Sobre compatibilidade

    Esta reflexão poética é meio amarga, mas o dia está doce como uma cocada. Estou entrando em uma boa fase,acima da média. Muito boa mesmo...Mas, continuo gostando da "pegada Baudelaire", enfim, a felicidade não é incompatível com as nossas feridas, aliás, a felicidade é compatível com tudo, porque ela não é mais que um estado de espírito. 

Zurique é um misto de orla carioca, que é sempre mais bonita de longe, com a Avenida Paulista , que é sempre mais impessoal de perto. 


Está tudo planejado, na medida...

Vivemos na Suíça!

Socializamos discretamente;

o trem parte na hora prevista.

Não há  crianças com gritos agudos;

Não há sustos!

Velhos e ruas absolutamente limpos;

mas , tenho n’alma um turbilhão de porquês

que seguem insuspeitados;

engulo a dúvida como um escarro retornado.

E tenho duvidado de tudo, hesitado ...

Acima da minha cabeça envernizada;

acima deste céu cinza;

todo um universo inexplorado.

Tapete estrelado de um Deus

que escarra ossos, sangue e carne.