quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Fernanda Poeta e Patrícia Pateta.




     Posto dois trechos de um poema de Fernanda Young, cujo nome é votos de submissão. É um poema muito interessante, porque destoa do feminismo militante, aliás, o nome do poema é muito provocativo, em síntese: totalmente Fernanda...  


     "Caso você queira posso passar seu terno, aquele que você não usa por estar amarrotado. Costuro as suas meias para longo inverno...Use capa de chuva, não quero ter você molhado..." 

"... Mas quando for a hora de me calar e ir embora sei que, sofrendo, deixarei você longe de mim. Não me envergonharia de pedir ao seu amor esmola, mas não quero que o meu verão resseque o seu jardim. (Nem vou deixar - mesmo querendo - nenhuma fotografia. Só o frio, os planetas, as ninfetas e toda a minha poesia)."

Fernanda, poeta.

 
Abaixo, uma reflexão poética que fiz há algum tempo; um tempo em que estava pensando muito sobre o evento morte, enfim, há várias formas de estar morto, já que existem várias formas de estar vivo, mas, foi um momento de reflexão do aspecto literal do fenômeno morte. 

  
Se há vida, há esperança;
A fé segura-se em flores e plumas;
mas há também o vento tentando levar tudo; arrastando, varrendo...
Ora nos enlaça a doçura, ora  fazemos par com a desavença;
E dançamos ao ritmo deste empuxo. 
Mas, à sombra da certeza a morte  espera-nos paciente;
Nossa última dança...
(E mesmo os mancos a acompanham). 

Patrícia, pateta.

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Moro, o tiro que saiu pela culatra



 
            

             Sérgio Moro acabou se tornando uma espécie de garoto propaganda da Lava Jato. Era óbvia a sua parcialidade nas questões que envolveram  a trupe petista. Todos nós sabíamos que em alguns momentos as investigações extrapolaram limites, no entanto, o fim sublime de estancar a sangria que Lula havia imposto ao país, bem como torná-lo inelegível, justificou a adoção de alguns meios questionáveis. Todo mundo se vestiu de verde e amarelo, todo mundo se vestiu de Moro. Eu mesmo fui até Brasília acompanhar de perto as votações; quis participar de um momento histórico: a nossa “desesquerdização”. Temia que enveredássemos por caminhos menos democráticos com a continuidade petista.
            Moro não começou o desmantelamento da esquerda sozinho. Era óbvio que ele contava com apoio político, o que significava poder. Havia um objetivo claro que era o de colocar um representante da direita na presidência. Os partidos de centro, os que não são e nem deixam de ser não serviriam; teria de ser um assumido. É preciso fazer um parêntese: na época do impeachment da Dilma não ficou tão claro para mim o forte vínculo do movimento com a religião evangélica - se fica, eu jamais teria apoiado- Os líderes evangélicos brasileiros estavam articulando nos bastidores o “pacote”. O nosso liberalismo viria casado com o conservadorismo exacerbado que tão bem os caracteriza. 
            O PT, expoente máximo da esquerda brasileira, rivalizava com a direita na economia e nos costumes. A esquerda é progressista nos costumes e retraída quando o assunto é menos Estado nas questões econômicas; a nossa direita admite o recuo do Estado na economia, mas quer agigantá-lo na vida pessoal do cidadão. É de acabar o tereré de Ponta Porã!
          Eis que surge neste contexto, o Messias. O sujeito branco e rico, representante de uma elite que cansou de ter vergonha de ser elite; que resgata os valores do patriarcado com sua metralhadora imaginária, ao mesmo tempo em que se  deixa batizar nas águas do Jordão.
          Bolsonaro vestiu-se de verde e amarelo e apropriou-se de todo o capital político construido pela Lava Jato; em par com esta jogada ele fez um marketing feroz nas redes sociais, apoiado por grupos religiosos que fidelizaram os votos dos seus adeptos. A cereja do bolo foi a declaração de que Moro seria o seu Ministro da Justiça.
          Ocorre que a metralhadora saiu do controle e o menino meteu as mãos no bolo derrubando a cereja. Moro que restava diminuído retirou-se do governo tentando desacreditar Bolsonaro; a estratégia que o havia consagrado no caso do PT, parece não ter surtido efeito algum no Messias. Moro foi tão minado que é preciso urgente desvencilhá-lo da Lava jato para que ela não afunde junto com ele. 
         Não foi só para Moro que o tiro saiu pela culatra; eu sempre me pego pensando na viagem que fiz para Brasília...Mal sabia que em breve seria forçado a votar em um candidato petista para não votar no Bolsonaro. Fato é que o único tiro certeiro foi o do Messias, em nós...     

domingo, 2 de agosto de 2020

FOREVER YOUNG




 

            Neste mês faz um ano que FERNANDA YOUNG faleceu. Eu ainda guardo os cacos; ela é o meu bibelô de porcelana herdado da avó favorita. Por mais que eu saiba que não se juntam tenho dificuldade de desapegar.

Pat.