quarta-feira, 22 de março de 2017

Sobre o Insulto...

Schopenhauer é o meu filósofo favorito. Dizem que era machista porque “tascou” certa feita: "mulheres são seres de cabelos longos e ideias curtas". Não podemos desconsiderar todo o seu raciocino impecável sobre as questões do ser em razão deste em particular... Não costuma ser prudente tomar a parte pelo todo. E, além, é notório que a maioria da humanidade, em todas as épocas, sempre teve ideias curtas. Sendo que os homens ainda podem ter a desvantagem da calvície. Detalhe, a maioria também é bem machista, homens e mulheres. 

Astrologia...

“Uma prova grandiosa da subjetividade deplorável dos homens, em decorrência da qual eles referem tudo a si mesmos e de que todo pensamento retrocede imediata e diretamente a si, nos é fornecida pela astrologia, que relaciona o curso dos grandes corpos celestes ao individuo mesquinho, bem como os cometas no céu às querelas e trapaças terrenas”.

As Razões da Maioria...

“O intelecto não é uma grandeza extensiva, mas intensiva: sendo assim, um único individuo pode tranquilamente opor-se a dez mil, e uma assembléia de mil imbecis não faz um único homem inteligente”


 Quando a verdade parece cruel...

"É penoso ouvir roucos cantarem e ver mancos dançarem; mas saber de mentes limitadas que filosofam é insuportável. "

(Schopenhauer “A Arte de Insultar”)

Sobre Todas as Coisas...Sobre voos...

“Gosto de um modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno voo e cai sem graça no chão...”.

(Clarice Lispector)

Há uma chatice na paixão que só os apaixonados relevam.  Mil desculpas pela insistência na reflexão  de Clarice. É que a minha paixão me leva a repeti-la...Sinceramente, não consigo encontrar nada que me encante mais, ou que considere mais poético.  Nesta linha, faço a minha própria reflexão sobre o voo tentado; a esperança renitente; o “levantar-se” impelido pelo inexorável desejo de alcançar...

Era para ter sido apenas mais uma noite, talvez, mais desagradável que a maioria das noites, mas, inesperadamente, a noite fez-se sonho real. Mágica de carne e osso, inexplicável... Tal qual o encanto das noites de natal para as crianças. Desembrulhei o presente, no entanto, apesar do sonho intacto, pela manhã, a caixa estava vazia.  

(P. Ubert)

terça-feira, 7 de março de 2017

Sobre Chuva e Tristeza

Muitas pessoas associam chuva com tristeza e sol com alegria. Sim, há alguma tristeza na chuva, mas, muito mais de poesia.  

Chove. Chovo eu, tudo escorre. Todas as coisas em todos os lugares se metamorfoseando em água e indo embora; fluindo para um misterioso mar que conhece a verdade das pedras e homens. Não há nada que possa traduzir melhor a tristeza sublimada que uma chuva mansa.

P. Ubert (metamorfoseando). 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Sobre Sonhos e Genes...


“O homem é do tamanho do seu sonho” ou dos seus genes?

Fernando Pessoa, desassossego em pessoa, escreveu no Livro do Desassossego: “Haja ou não deuses, deles somos servos”. Acho muito interessante porque o tão decantado livre arbítrio, “querer é poder”, sempre me causou certa desconfiança.
É um argumento muito usado pelas religiões para deixar claro que você só não é o que esperam que seja porque é um calhorda fraco. Em todo o caso, cada um deve ter gravado em seus genes as “calhordices” que merece.
Fernando estava certo: somos escravos, de um jeito ou de outro. Menos mal! Quantos de nós não estaríamos piores se pudéssemos decidir inexoravelmente os nossos destinos? Mas, e os sonhos? Os sonhos repousam à sombra da nossa realidade, esperando o beijo apaixonado do tempo, que, para nosso azar ou sorte, pode ser eterno.   
      Fiz uma reflexão poética sobre o tema. De mim para Fernando; de um desassossegado para outro:

Sou escravo como foram meus ancestrais;
Um corpo atado ao tronco, sob a chibata dos heróis e das quimeras;
Arrastando minhas correntes desde que lançado aos espaços siderais,
Vou sendo parido e decomposto para muito além das eras.

(Querem saber? O homem é do tamanho da sua alma)  

(P. Ubert)

domingo, 30 de outubro de 2016

"Fé demais não cheira bem"

Costumava comentar na coluna de um liberal radical. Não gosto de radicais, mas, como sou radicalmente antipetista, ele era o meu mal menor. O mundo é radical! Viver é radical! Deus, caso exista, deve ser radical... Em um dos seus posts ele disse que estamos sempre às voltas com extremos. Comparou nossos valores com um pêndulo, reportando-nos ao velho e sábio chavão de que o equilíbrio só pode estar no meio. Eu completaria o raciocínio dizendo que um extremo leva a outro.
 Para cada ação uma reação proporcional, explica a lei da física. Machistas, por exemplo, geram feministas que geram mais machistas, dando movimento ao pêndulo. Somos equivalentes a este previsível balanço. Condenados a um “vai e vem” sem fim.  Nossos discursos extremados o eterno “tic tac” que ecoará até que a morte nos traga alguma surdez ou novidade.
Ele foi bem até escrever: “Estado e Igreja eram praticamente uma só coisa. A religião oficial mandava e desmandava, o “herege” não tinha uma vida nada fácil. No limite, tivemos até a Inquisição e um índice de livros proibidos. Nada mais legítimo do que o iluminismo, as bandeiras racionalistas e laicas de pensadores como Voltaire e Hume. Por que os agnósticos, ateus e crentes de outras seitas não podem conviver em paz? Agora vamos comparar isso com o ateísmo militante moderno, que parece confundir estado laico com antirreligioso, saindo da posição de perseguido para perseguidor, extremamente intolerante para com tudo que remeta ao cristianismo, ignorando inclusive que ele é parte inseparável de nossas tradições e cultura. O pêndulo não exagerou aqui também?”.
Balela! No Brasil não há ateus! Que dirá militantes ateus perseguidores! Por aqui chamamos de ateu o sujeito que simplesmente manifesta uma e outra dúvida quanto as  verdades absolutas impostas pelos ditos representantes de Deus. Basta insinuar alguma crítica às sagradas escrituras para ser rotulado de ateu. Aliás, os nossos “ateus” sofrem mais preconceito que gays e negros.
Os teístas se sentem pessoalmente ofendidos quando alguém questiona os seus dogmas, a sua moral religiosa. Manifestar-se contra as ingerências das religiões na intimidade dos indivíduos faz daquele que se manifesta um doutrinador cético. No entanto, quem faz discursos e sermões usando a perspectiva do inferno eterno como método de persuasão é o crente. Isto sim é doutrinar! Doutrina e chantagem...
 Deveríamos substituir a ideia de moral cristã pela ética cidadã. Ateus no Brasil seriam bem vindos, eles poderiam representar o equilíbrio do pêndulo. Um pouco menos de religião nos faria bem. Existem guerras e farsas demais em nome do pai...
Não ligo para teístas, desde que não instituam a crença cega e o dizimo obrigatório. Particularmente, só quero o meu direito à dúvida.           

sábado, 22 de outubro de 2016

Feminismo? Tô fora!

         O conceito de feminismo foi atualizado. Hoje significa: “Um conjunto de ações que tem como objetivo direitos equânimes (iguais) e uma vivência humana por meio do empoderamento feminino e da libertação de padrões opressores patriarcais, baseados em normas de gênero.
Sabemos que o feminismo surgiu para se opor ao machismo. Ele já contou com discursos inflamados, exigindo, inclusive, o direito de urinar em pé. Sutiãs em chamas, tempo quente aquele... Foi um movimento importante, sobretudo na década de 60 e 70, mas,hoje, seria muito mais interessante para quem pretende desmistificar os gêneros falar em direitos e garantias da espécie humana. Quando as feministas afirmam que lutam pelo direito das mulheres, dos gays, dos trans, já estão classificando, rotulando as pessoas, o que é à base da hierarquia, da divisão, nas sociedades. A maioria delas faz declarações cheias de misandria para criticar a misoginia, sobretudo as feministas de esquerda. Há uma tendência da esquerda em tratar coisas iguais como se fossem opostas.
 Esta é a grande falácia das feministas: ridicularizar e demonizar o machismo através do feminismo. Elas substituem os padrões machistas pelos seus, impondo regras igualmente rígidas de comportamento a todas as mulheres.
Você, mulher, é obrigada a ter orgulho de sua condição, que para o feminismo doente equivale a fazer tudo o que os homens fazem. Surge aí a confusão entre direitos iguais e igualdade de gêneros. Primeiro: as mulheres querem fazer o que os homens fazem?  Segundo: os homens querem fazer o que fazem? A coisa é bem aguda...Minha vocação liberal e poética me impele a crer que o principio da liberdade é fazer o que temos vontade de fazer, resguardado o direito do outro. Haveria coerência entre os nossos sentimentos e atitudes, o que equivaleria a menos hipocrisia.
Quando uma feminista ordena: VOTE EM MULHERES! Ela está demonstrando todo o sexismo que teoricamente combate. Para votar a última coisa que importa é o sexo do candidato. Basta imaginar um homem fazendo o mesmo discurso. Mas, elas podem! A chancela do feminismo lhes garante, porque é bonito ser feminista e feio ser machista. E fascista é todo mundo que não concorda. Super prático!
Homens e mulheres são diferentes, biologicamente diferentes. Não acho prudente lutar contra homens, eles são em média 30% mais fortes! Claro, só estou provocando as hienas... O lado bom é que homens também não são iguais entre si, dando-se o mesmo com as mulheres, o que nos faz concluir que temos muita diversidade... O esforço comum deve ser no sentido de reconhecê-las e respeitá-las. Aceitar ou gostar pode ser muito bem-vindo, mas é opcional. Aliás, Deus nos livre da falta de opção! Pobres cubanos!

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Sobre Todas as Coisas...

"Mas tudo acaba onde começou
É que tudo acaba onde começou."

O impulso da vida, o império da morte;
Se ao jovem a paisagem se faz bela e perfeita,
à beira  da cova a imagem é sempre perturbadora e estreita.
A morte avança, cobre o leito com a sua capa negra...
Pobre carne humana, sonho que pouco se demora!
Quem sabe qual sorte te alcançará; 
em que abismo cairá à revelia quando a nobre dama te enlaçar;
Caos, sossego, ou alguma inesperada redenção?
E quando a tua caixa fúnebre baixar qual esperança ou certeza,
senão a de que cumpriste a inevitável aliança, selada na tua gestação! 

(P. Ubert)