segunda-feira, 27 de julho de 2020

ema ema ema, Bolsonaro é um problema!





            Bolsonaro mostrou uma caixa de cloroquina para emas que ficam no Palácio da Alvorada; ele também deu uma banana aos repórteres. O problema do presidente é que ele não consegue entender a dimensão do cargo que ocupa; cada cérebro tem os seus próprios limites. O que ele sabe de verdade é aporrinhar, inclusive as pobres aves. 
            Dizem por aí que sagitarianos são otimistas, Bolsonaro minou o meu. Esperar que o governo decole é crer que um carro sem combustível possa subir uma ladeira sem a ajuda de um guincho. E cá entre nós, quem se candidatará a guincho em um governo que se legitimou com um bando de conservadores nos costumes e um suposto liberalismo na economia, cujas vigas foram trincadas por uma inesperada pandemia? Aliás, o conceito de liberalismo, aplicado na economia e no direito nos EUA e na Europa Ocidental, foi totalmente desvirtuado no Brasil pelos radicais livres bolsonaristas.  
           Bolsonaro não foi eleito por acaso, por uma fatalidade, como apregoam alguns; ele foi eleito porque cada povo tem o governo que merece.  A cloroquina foi a solução que ele apresentou à pandemia: um remédio ineficiente, pretenso, sem a mínima comprovação científica; a banana, afigura-se como solução para a sua falta de respostas. Ele, a nossa solução à corrupção.      
            O nosso “Messias” não passa de um fascista de quinta categoria, uma espécie de Rei Julian do desenho Madagascar, embora as suas idiotices e vaidade exagerada tenham consequências bem menos divertidas; o que o torna um problema sem fim.  
           Para piorar, o mundo está irritado com o Brasil; além do fato de terem os seus próprios destroços para limpar. A maioria irá nos virar as costas...A vida é assim mesmo: “ema ema ema, cada um com seus problemas!” . Ainda bem que ainda me restam os  cascos e um arco e flecha;

quinta-feira, 23 de julho de 2020

Dirce, inundada de Poesia...


             Dirce é uma pessoa cometa: rara! Quem a observa fica sempre olhando de baixo para cima,  admirado...Especial demais! Mulher corajosa! Enfim, não tenho palavras...Ela me enviou alguns lindos poemas, rascunhos de um diário; posto aqui  dois trechos. Segue também uma reflexão poética que fiz a partir de um artigo sobre os fatos da piedade.
 
“Sentimento ferido!
Como se houvesse
Um direito:
O de não ser magoado”

“Ao que me faz doer agora
Deveria, braços abertos,
Deixar morrer na cruz
Antes de me deixar crucificar, eu mesma.”

(Dirce de Assis)

Posso
evitar a empatia,
deter a vontade de outro passo;
sair do laço, estancar a euforia;
limitar o tamanho do abraço;
Posso
despertar antes do começo,
agarrar-me a este Morfeu avesso,
alegrar-me só com a alegria que conheço;
Posso
abrir os olhos a Sísifo,
carregar pedras de um abismo
a outro abismo,  
sem qualquer dúvida ou remorso,
Posso?

terça-feira, 21 de julho de 2020

Geração Transição



      
          Essa é do fundo do baú. Aquela nossa geração foi muito especial; a juventude é sempre um poema, flores desabrochando...(É claro que a perspectiva dos professores e padres não deve ter sido exatamente esta).  
          Tinha gente que vivia matando a  missa,  escondia o boletim; outros insuflavam boicote à cantina quando aumentavam os preços...E aquele professor de religião que pedia uma autoavaliação em voz alta... O que era aquilo? Um tempo que o vento levou...

(Tenho certeza que todos compartilham da minha saudade do Colégio Dom Bosco, homenagem a nossa "escola"). 

Pat. 
 

Toda Forma de Poder
(Engenheiros do Hawaii)

Eu presto atenção no que eles dizem
Mas eles não dizem nada
Fidel e Pinochet tiram sarro de você que não faz nada
E eu começo a achar normal que algum boçal
Atire bombas na embaixada
Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer tudo que eu vi
Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer
Toda forma de poder é uma forma de morrer por nada
Toda forma de conduta se transforma numa luta armada
A história se repete
Mas a força deixa a história mal contada
Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer tudo que eu vi
Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer
E o fascismo é fascinante
E deixa gente ignorante fascinada
É tão fácil ir adiante e se esquecer
Que a coisa toda tá errada
Eu presto atenção no que eles dizem
Mas eles não dizem nada
Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer tudo que eu vi
Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer
Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer tudo que eu vi
Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer...


sábado, 18 de julho de 2020

Fé cega: Faca amolada


Para não perder a verve poética do blog, tasco-lhe:

Onde queres Vinícius,  sou Voltaire;
Onde queres política, diversão;
Onde queres Astaire eu sou a bicuda na cara do cão...

            A Bíblia está para os antigos hebreus como a Ilíada e a Odisseia estão para os antigos gregos; seria mais adequado que os brasileiros se apegassem aos Lusíadas.
            A nossa decantada miscigenação deu no que deu...De toda a mistureba, a  influência lusitana foi possivelmente a mais nociva. Para começar os primeiros exploradores já vieram  com os“embelecos” jesuítas para imporem a sua fé.  Seria melhor se ainda estivéssemos adorando o sol e os trovões. Herdamos desse povo  um misticismo rasteiro,  que usa a barganha, a promessa, para conseguir favores divinos; aplicamos o mesmo método no nosso cotidiano que vai desde o “cafezinho” até a mais escabrosa propina. Tem sempre uma mãozinha estendida esperando uma paga...
            Observamos hoje a ascensão dos evangélicos, que são em certa medida muito menos liberais e tolerantes que os “católicos modernos”. Qual seria a razão de uma religião que prega os valores dos antigos hebreus ser coroada na atualidade? Desconfio que os dogmas sejam pouco importantes para compreender a resposta. Eles estão ocupando todos os espaços de poder porque funcionam rigorosamente como uma empresa: propaganda, estratégia para a expansão de filiais; para a fidelização do “cliente”; ampliação das áreas de atuação- TV, rádio, jornais etc...Enfim, um gigantesco empreendimento. Neste sentido, não há nada mais moderno.
             A última barreira a ser transposta, o calcanhar de Aquiles dessa gente, é a ciência. Eles sabem que o tamanho dela é inversamente proporcional ao de Deus. Quanto menos ciência mais é necessária a superstição para preencher a lacuna  dos nossos questionamentos. Portanto, eles sabem que para manter o controle é essencial cortar o pensamento, pela fé ou pela faca.
            Esperar um salvador da pátria é algo enraizado na nossa cultura. O que diferencia o atual Presidente dos outros é um fator novo: a devoção. O voto ao que é considerado sagrado; nisto reside o perigo: podemos lutar contra ideologias, já fizemos isto, mas não sabemos questionar o sagrado;  é algo totalmente estranho aos brasileiros. O poder que fala  em nome de Deus é muito mais perverso do que o que fala em nome do nazismo, marxismo, ou qualquer outra ideologia.
            O movimento evangélico, dos chamados conservadores radicais, é uma das maiores ameaças a nossa democracia, porque eles tem uma nítida face fundamentalista. Creio que o projeto deles de tomada do poder está bastante acelerado. Estão no executivo, legislativo e judiciário, impondo a sua cartilha.
            É bem possível que instituam o dízimo obrigatório, a cura gay obrigatória, a volta das mulheres ao lar; a castidade feminina obrigatória etc. parece exagero, mas depois de saber que o Rasputin do Presidente, Olavo de Carvalho, ainda trabalha com a hipótese da Terra ser plana, é prudente nos preparemos para o pior.
            Eu, que tenho tendência de buscar consolo na filosofia e na biologia, estou tentando cultivar a fé religiosa. Até comecei a rezar pedindo o retorno de Dom Sebastião, a eleição do Ciro,  pode ser até alguém do  PT...  Dos males, o menor.

terça-feira, 14 de julho de 2020

Sobre Reencontros...



                     
         
          Este blog está inundado de filosofia, culpa de quem, né? Vou reconectá-lo com a poesia. Inclusive, postarei  depois algumas que Dirce me enviou, todas lindas. Segue uma minha, tentando conciliar tristeza com euforia. Pat.

Na tarde fria de silêncio cinza
a sua presença  ilumina o luto;
e morre mais ainda o morto,
na expectativa  que se eterniza.
O pêsames constrangido
encerra um abraço frouxo;
e tudo se agita ao lado do morto;
enquanto o morto, mais morto ainda.
Na tensão entre  o vermelho do arroubo
e a escuridão maciça da caixa
o morto, definitivamente morto, se rebaixa;
enterrado pela  inevitável atração.

(Melhor enterrar todo mundo! )